À noite o destino é o mesmo
meu desatino vem desse ócio
impregnado nas rachaduras
que viram fantasmas insistentes
e não cansam de me atormentar
(espectros me perseguem)
estou exausta de cochichar
as paredes do meu quarto
já estão cheias de segredos
meus lençóis não suportam mais
o peso das nascentes
a corredeira das lágrimas secas
o assombro das sombras
(qualquer hora desnudo)
enquanto coberta,
guardo meu mundo
trancado às chaves secretas
por trás das portas dos fundos
um mundo só, meu
lamento,
faz mais frio a cada dia.
sábado, 26 de maio de 2012
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Quiromancia

Para acalmar minha ânsia
abro de leve as mãos
vejo as linhas
que passeiam
tontas
se cruzam
em adivinhação.
Pra o futuro,
o traço da vida diz:
Morreste!
Traz-me, pois,
velas no amanhã
e fogo, e luzes
e perfume de flores
Impreca baixinho
aos céus, aos santos
aos orixás, aos deuses
Talvez eu ressuscite.
Quiça eu volte!
No amanhã.
domingo, 20 de maio de 2012
Busca
Minhas
pálpebras palpitam
-
como o músculo das emoções -
atentas
ao que não se vê
por
dentro adormeço
distante,
silente
itinerante
de notas e letras
que
se findam
em
êxtase e lamento
ecos
da alma
fecho
os olhos para o mundo
(insana
realidade)
porque
se se fecha a janela
o
mar de negro em que se adentra
e
o infinito que se pode tocar
possuem
a imensidão das galáxias
e
a profundidade do lume da Terra
rejeito
o palmo opaco à frente
o
lodo e o bolor
fecho
os olhos
e
encontro um facho de luz
que
de olhos abertos
não
se pode ver.
(Yvanna Oliveira)
sábado, 19 de maio de 2012
Mulheres
Em cada passo que dou na estrada
uma mulher salta
pés descalços
sobre saltos
se desfazem no caminho.
A cada passo que sigo
sirvo de morada
abrigo de aves santas
descaradas e devassas.
Em cada trecho da estrada
sou mais uma
sou milhares
mil mulheres
sem disfarces
abrigam-se num olhar.
(Yvanna Oliveira)
Bucólico
As imagens que tenho nas mãos
são a minha companhia
(não posso queixar-me de solidão)
há um lago, há sol, há a vida
e o vento no rosto ingênuo que sorri
cantando palavras que já me são melodia
no terreiro um varal riscando o céu
cheio de lençóis brancos dançando
borboletas coloridas beijando jasmins
girassóis sorridentes se bronzeando
há o violão que dormiu com a lua no sereno
envolto de umas tantas garrafas amigas
há a sede pelo torpor da noite no dia
saciada por beijos e beijos mais doces,
há também o abraço longo e a preguiça
um tapete amarelo completo de flores
e recordações de quando tudo eram só palavras
há uma espreguiçadeira indolente no alpendre
o chamego de um pé que namora o outro
e debaixo da rede os olhos amigos de um cachorro
ao som da sinfonia de pintassilgos e bem-te-vis
convidados constantes da nossa morada
e isto é arte, a nossa frente tela aquarelada
um mundo inteiro pra ser só nosso, em nossas mãos posto.
(Yvanna Oliveira)
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Sobre olhos - amontoado de palavras
afogados em mar de rímel
descomposto,
sinto muito, meus olhos
insistem em querer fechar
eu fecho as janelas do quarto
porque gosto de mergulhar no
escuro
da tristeza permanente alojada em
meu peito.
Yvanna Oliveira
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